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Mais uma vez a equipe do Turnover Brasil trás uma entrevista exclusiva para você, dessa vez com um dos melhores jogadores que já passaram nas quadras do Brasil, exemplo de garra, determinação, comprometimento e vontade em todas as equipes por onde passou, veja o bate papo com o ala/pivô Rogério Klafke o eterno camisa 14.

Rogério exibe medalhas ainda no Franca (Foto: GCN)
TURNOVER BRASIL - Em uma carreira com tantos títulos, existe algum que sonhou em conquistar mais não conseguiu?
Rogério Klafke - Na verdade o atleta sempre busca alcançar ou conquistar todos os títulos de campeonatos que participa, tenho a felicidade em olhar para trás e saber que tive uma carreira vitoriosa, mas apesar de ter sido campeão em algumas oportunidades tive também muitos vice-campeonatos que me deixaram com um gostinho de "quero mais". Portanto, o brasileiro de 1991 pela equipe de Jales, e a liga sul-americana de 2004 por Uberlândia, foram momentos que me marcaram por não ter sido campeão.

TB - Aposentado recentemente, pensa em ser treinador? O que planeja para o seu futuro?
Rogério - Acredito que minha vida estará sempre muito ligada ao esporte, o basquete sempre foi a minha vida, e por isso mesmo tenho a certeza que de alguma forma, dentro da quadra como treinador ou até mesmo como dirigente, estarei tentando passar minha experiência ajudando a formar novos atletas.
Rogério atuou pelo Basquete Cearense  no NBB




TB - Você que disputou o NBB, acha que o torneio está no caminho certo? O que ainda falta?

Rogério - Joguei muitos campeonatos brasileiros e vi as diversas fases da nossa modalidade. Tenho absoluta certeza que atualmente estamos vivendo o melhor momento em termos de estrutura e organização dentro do basquete. Temos também um campeonato de ótimo nível técnico e com muitas equipes com chances de título, sem falar na criação de uma liga de desenvolvimento que se preocupa com a continuidade e a formação de novos talentos. Tudo isso me leva a crer que estamos no caminho certo!
TB - O que falta para o basquete nacional, voltar a ser o segundo esporte no país?

Rogério - O mais importante é estarmos sempre preocupados com as categorias de base, apostarmos no futuro dos nossos jovens, tentar massificar  o esporte nas escolas, criar projetos para incentivar o basquete em todas as classes sociais, não somente nos clubes. Precisamos ainda de muito apoio financeiro, investidores e empresas que entendam que o processo de formação de uma equipe campeã demora a se solidificar, que devemos ter um trabalho com continuidade, de longo prazo, dando chances para que se crie uma identidade das equipes com as suas cidades. Estarmos sempre preocupados em melhorar ainda mais em organização e nas competições, sendo assim teremos maior credibilidade. Sermos mais unidos como um todo, não deixarmos a rivalidade da quadra atrapalhar no crescimento do basquete, trocarmos conhecimento e informações, valorizarmos o nosso "produto", enfim, batalharmos todos juntos pelo bem do nosso esporte. E por fim, um grande resultado da nossa seleção em uma competição de peso como os mundiais e olimpíadas. Tudo isso traria novamente o interesse da população para o basquete e consequentemente recursos para a modalidade.
Rogério esteve na seleção de 1993 a 1999
TB - O que espera da seleção brasileira no Mundial da Espanha?

Rogério - Tenho muita esperança numa boa campanha da nossa seleção. Hoje, após a não classificação no pré-mundial, e termos conseguido o convite de participação, com certeza entraremos na competição com pouca atenção pelos adversários. Com a chegada de todos jogadores que atuam na NBA teremos uma equipe fortíssima. Se estiverem todos com o mesmo pensamento e objetivo, focados numa atuação coletiva, acredito realmente que poderemos assustar todas as outras seleções, e assim fazer história!!

TB - Qual o título mais importante da sua carreira?

Rogério - Impossível dizer que um título foi mais importante que o outro, cada um teve a sua história, o seu momento. Mas talvez o mais marcante tenha sido o primeiro título brasileiro de 1996 por ter vindo após alguns vice-campeonatos.

Confira o vídeo da conquista do 1ª Super Copa pelo Franca: 


TB - O que falta na sua opinião para que o Rio Grande do Sul, berço de grandes nomes do basquete brasileiro, volte a ter um time de expressão no cenário nacional?

Rogério - Incrivelmente hoje em dia o basquete gaúcho vive um momento triste e com pouquíssimas equipes em atividade. Impressionante ver tanto material humano sendo "desperdiçado", jovens altíssimos com potencial enorme sem ter um "espelho" e uma equipe para jogar. Um estado com tanta tradição e um título nacional de 1994. E como falei anteriormente, sem apoio financeiro e uma estrutura capaz de manter um trabalho sério, e a longo prazo, fica cada vez mais difícil e remota a possibilidade de voltarmos a ver aquelas equipes incríveis e com torcidas apaixonadas como na década de 90. Precisamos muito da ajuda do poder público nessa hora, pessoas e governantes com visão da importância que o esporte tem na sociedade, não somente no lazer para a população, mas também na questão social e educacional que o esporte proporciona.

TB - O que você acha da falta de investimento nas categorias de base?

Rogério - Esse é o ponto principal para o fracasso de uma modalidade. Sem investimento na base acabamos ficando com sérios problemas de continuidade de trabalho, sem futuro e sem perspectivas de nos tornarmos potência olímpica. Somos um país continental, mas infelizmente aproveitamos e trabalhamos muito pouco nossos jovens e crianças, a mentalidade e filosofia de formação de atletas no Brasil é muito falha, infelizmente!
TB - Na sua opinião o que o técnico Magnano mudou no estilo de jogo da seleção brasileira?

Rogério - Acho que o Magnano trouxe uma mentalidade de jogo diferente para a nossa seleção. Hoje temos uma disciplina de jogo que a muito tempo não víamos. É um técnico moderno e atualizado com as mudanças e situações de jogo que as grandes seleções e equipes do mundo  praticam. Tenho certeza que, com a sua capacidade, experiência e liderança, irá saber conduzir nossa seleção a uma excelente colocação no Mundial.

TB - O que voce pensa sobre os brasileiros na NBA? E sobre as atitudes deles em relação as dispensas da seleção ?

Rogério - Temos excelentes jogadores brasileiros atuando na NBA hoje em dia, cada um com seu estilo e importância dentro de suas equipes. Com o passar dos anos estão adquirindo mais experiência e se tornando cada vez mais efetivos. Na seleção brasileira a sua forma de jogar acaba mudando um pouco pelo protagonismo e pela responsabilidade que eles tem dentro do conjunto. Agora é preciso transformar toda essa qualidade em um espírito coletivo, somando forças, e tornando o time e o objetivo do grupo, maiores que as ambições individuais. Não costumo julgar e comentar sobre assuntos de dispensas, porque não sei o que realmente passa nas vidas e momentos particulares de cada jogador, acredito que cada um deva saber o que é melhor para si. Sei e entendo o compromisso que eles tem com seus clubes da NBA, financeiros e técnicos, mas acredito que se tudo estiver dentro de uma "normalidade" eles não se recusarão a representar o nosso país.

Equipe do Vasco em 2001
TB - Pelas equipes em que passou, qual mais marcou a sua vida ? Momento mais frustrante da sua carreira, e de maior alegria ?

Rogério - Graças a Deus sempre estive em grandes equipes e que brigavam por títulos, tive a felicidade de ter sempre um bom relacionamento em todos os times que passei. Logicamente em algumas tive mais sucesso e mais tempo de trabalho, e por isso mesmo uma marca e identificação maior. Em função disso, a SOGIPA onde iniciei a carreira, FRANCA que joguei por quase 13 anos, e o VASCO DA GAMA acabaram sendo minhas principais e mais marcantes equipes da carreira. Um momento frustrante foi quando, depois de muito tempo de dedicação e treinamento para o pré-olimpíco de 1999, nossa seleção acabou sendo eliminada e acabou ficando de fora de olimpíada de 2000. E um momento de muita alegria foi ter participado da olimpíada de Atlanta em 1996.


TB - Você como um dos maiores jogadores da história do Franca Basquete, o que achou da criação do Memorial do Basquete no Clube dos Bagres?

Rogério - Achei simplesmente fantástico. Franca já merecia um memorial desses a muito tempo pela sua tradição, inúmeros títulos em todos níveis de competição, pela sua trajetória de apoio ao basquete por mais de 55 anos ininterruptos, e por ser conhecida como a capital nacional do basquete. Fico humildemente, muito feliz de poder ter feito parte dessa maravilhosa história. Parabéns pelo projeto!

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