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Foto: Cacau Campos
A equipe do TURNOVER BRASIL bateu um papo com um dos maiores ícones do basquete brasileiro, Demétrius Ferracciú, com inúmeros títulos como jogador em várias equipes por onde passou e também pela seleção brasileira e agora segue a carreira de treinador que com certeza será bem vitoriosa, e você confere tudo aqui.

Você como treinador de Limeira desde 2010, participou de todas as edições do NBB como comandante da equipe, quais foram as evoluções vistas desde o primeiro torneio até hoje ? Tem possibilidades do basquete ser novamente o segundo esporte mais visado no Brasil?

Estou desde 2010, acho que nós evoluímos bastante e que é um projeto a longo prazo, e que no primeiro ano conseguimos ser campeões paulistas, um time totalmente desacreditado e com isso já deu uma segurança no projeto, e hoje no NBB a nossa meta é estar entre os quatro primeiros do Brasil, todo ano viemos evoluindo aos poucos e esse ano será o ano chave para esse projeto, o time tem mais condições o investimento foi maior e estamos próximos de chegar onde queremos. Sobre o basquete ser o segundo esporte, o que vai dar essa referência são os resultados em cima da seleção brasileira, pois o torcedor hoje torce para o esporte se o esporte está bem a nível mundial em termos de seleção, hoje o basquete no mundo é muito forte, você vai na Europa , nos Estados Unidos e é sempre um esporte bem visado, a chance será nas Olimpíadas no Brasil e o importante é investir nas categorias de base, com isso o esporte vai se aperfeiçoando sozinho e com grandes chances de chegar a esse nível de segundo esporte do país.

A equipe teve uma ruim participação no último paulista onde a equipe não foi para os playoffs, como foi a reformulação na parte emocional do elenco sendo que no NBB a equipe começou com tudo sendo líder por várias rodadas?

Demétrius / Limeira
No paulista não tivemos tempo para fazer uma pré temporada, e quando falo pré temporada é você implementar as questões táticas, é você ter tempo para fazer um melhor preparo físico para que o atleta aguenta a temporada toda, nós não tivemos coletivos antes de começar o paulista, alguns jogadores ainda não estavam integrados a equipe e isso dificultou muito para o paulista, o Ramon que chegou só no final de Setembro o Hélio machucou o Teichmann não estava bem e isso fez a equipe ir meio capenga para o paulista, já para o brasileiro, nós já tivemos tempo para a preparação tática e física, os jogadores mais inteiros e isso nos deu mais confiança e mais consistência para estarmos brigando entre os quatro.

Limeira começou muito bem o NBB e teve uma queda estranha de rendimento perto do fim da primeira fase e aos poucos foi retomando o bom basquete e hoje figura entre os 4 melhores da competição, é uma surpresa a atual situação da equipe ? 

Primeiramente o campeonato é muito equilibrado, então você as vezes tem alguns escorregões como todos tiveram menos o Paulistano, você vê que o Flamengo perdeu no começo para o São José em casa, para o Minas fora, Pinheiros teve alguns escorregões também, todo mundo teve algumas partidas para se esquecer vamos dizer assim menos o Paulistano que vem em uma consistência muito boa, então eu acho que isso faz parte do campeonato por ser um campeonato muito forte, nós recuperamos um pouco dessa queda de rendimento focando mais na parte física, e crescemos muito depois disso, hoje essa parte física no basquete tem uma importância gigante, e o mais importante é você crescer no momento certo, e nós estamos conseguindo isso, perto dos playoffs a equipe vem mostrando um bom rendimento e a surpresa para o torcedor foi grande devido a participação no paulista e trabalhamos no que mais pecou a equipe e hoje estamos bem e brigando na parte de cima da tabela.
Foto : Cacau Campos
Como você vê o NBB hoje, sendo que algumas equipes de nomes ocupam posições além do que se esperava e em vários jogos times considerados de menor expressão surpreendem e vencem essas equipes jogando em casa  e até mesmo fora?

Acho que no começo da competição várias equipes com essa tradição no basquete foram prejudicadas devido ao acúmulo de jogos com o paulista, então teve times que tiveram que jogar com juvenil, duas partidas no mesmo dia nos campeonatos paulista e do NBB, e devido ao término de uma competição a equipe foca mais nesse campeonato e com o começo de um outro acontece dessa mesma equipe perder dois a três jogos no começo do torneio, e esses dois ou três jogos tem um peso muito grande, então você imagina hoje se o Franca não tivesse jogado aquele começo do NBB com o time juvenil e tivesse ganho essas duas a três partidas, a equipe estaria brigando entre sexto a sétimo no mínimo, e isso prejudicou várias equipes, vejo isso como um dos motivos e também a evolução das equipes no basquete, e qualquer equipe hoje pode ganhar uma partida de qualquer um e isso mostra que o time que tiver mais focado tem melhores chances de estar em posições melhores no fim da competição.
Foto : Cacau Campos
Você se vê um dia sendo o comandante principal da seleção brasileira? 

Eu trabalho hoje para isso, quando eu era jogador, meu objetivo era servir a seleção brasileira e hoje eu tenho o mesmo objetivo só que como técnico, hoje faço parte da seleção sub-19, tive um ciclo de três anos com a seleção sub-17, sub-18 e sub-19, onde disputamos o mundial na República Tcheca, então eu venho trabalhando para ser o melhor na minha categoria, era assim como jogador e hoje quero manter o mesmo pensamento só que como técnico.

Qual foi a melhor equipe em que já jogou?

Demétrius / Telemar
Em cada equipe em que eu passei tive um momento especial, aqui em Franca eu tive um momento muito especial onde marcou minha carreira, e isso nunca ninguém vai apagar e o reconhecimento disso não são só os títulos mas também as pessoas que te reconhecem no seu dia a dia e lembram daquela situação, um momento muito legal no Vasco onde até hoje no Rio de Janeiro temos esse reconhecimento, e o time que foi especial para mim pela amizade e pelo objetivo foi a Telemar onde fomos campeões brasileiros com apenas duas derrotas no campeonato, eram um time de amigos também, então acho que essas três passagens me marcaram muito pelas conquistas, pelas amizades no dia a dia.


Uma partida inesquecível?

Demétrius / Marathon Franca
Um só é difícil, quando eu joguei com o dreamteam é uma lembrança bem bacana onde joguei com Shaquille O'Neal, Gary Payton, Scottie Pippen, Karl Malone, Charles Barkley e com certeza foi uma das partidas inesquecíveis, e jogos inesquecíveis são aqueles em que há conquistas né, finais de campeonato como aquela revertida que demos diante o COC Ribeirão no campeonato brasileiro onde viramos em 3 x 2, foi um título inesquecível, o título aqui em Franca também contra o Pony Corinthians, estava lotado aqui e há muito tempo a gente não ganhava e ganhamos, no Vasco também com o Maracanãzinho lotado onde fomos campeões sul-americanos, então esses jogos são inesquecíveis é bem difícil falar um só.

Se inspira em quem pra ser o treinador que é hoje?

Eu gosto muito do trabalho do Gregg Popovich do Spurs, é um cara que mistura muito bem táticas de NBA com táticas de FIBA, e eu gosto muito mais do basquete FIBA né o basquete europeu é um jogo muito mais pensado, mais tático mais inteligente e a NBA é muito mais físico e que também tem a sua beleza a sua performance que é diferente de todos, e na Europa eu gosto muito do Mesina e tem outros também e eu sempre procuro estudar sempre me aperfeiçoar e a internet ajuda muito esse intercâmbio de você poder trocar material e evoluir cada vez mais.
Demétrius / Seleção Brasileira

Tem algum título que você não ganhou como jogador que queria ganhar como treinador?

Se eu ganhar como treinador o que eu ganhei como jogador já estava satisfeito (risos) , mas eu acho que o que gostaria mais seria um título mundial e um título Olímpico né uma medalha olímpica, nós não conseguimos chegar nesse nível,  mas eu conquistando os títulos como técnico como eu realizei como jogador, já estaria muito feliz, claro que nada é de graça e tudo tem um porquê e vou atrás disso também, claro que como técnico é mais difícil, porquê como jogador você tem o poder da decisão e como técnico você depende vários outros fatores pois você precisa montar um padrão ou um esquema e fazerem eles acreditarem nisso, e as decisões no final vai mais do jogador no momento da partida e é uma coisa de dia a dia e quem sabe não chego lá.

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